NA ERA DOS ELETRÔNICOS, CRESCE A FATIA DO BRINQUEDO EDUCATIVO

A criança aprende na escola que o Antigo Egito era governado por faraós e depois joga com um colega um jogo criado há 5 mil anos. Os mais novos se vêem às voltas com peças coloridas de encaixar. Com as brincadeiras,  desenvolvem raciocínio e coordenação motora. “Os pais estão mais conscientes da importância dos brinquedos na formação da criança, não só como forma de divertimento, mas também de educação”, diz o presidente da Associação Brasileira de Brinquedos Educativos (Abrine), Altino Ito. “Hoje, entre 15% e 20% do mercado de brinquedos é formado pelos brinquedos educativos.” E a maior parte, segundo ele, são produtos feitos por micro e pequenas empresas. “Os grandes fabricantes de brinquedos têm linhas educativas. Mas os pequenos se dedicam exclusivamente a esse ramo.”

Essa fatia de mercado – que era de cerca de 5% em 2001 – cresceu principalmente pelo esforço de colocação no mercado dos próprios microempresários. “Apesar de existirem mais pessoas comprando,ainda é um público pequeno. O mercado cresceu porque a produção aumentou e melhorou em qualidade”, diz a gerente regional do Sebrae-SP, Rosemary Polastri, que realiza um trabalho de qualificação com pequenos empresários de brinquedos.A Mitra Officina de Criação utilizou as próprias opiniões dos clientes para desenvolver seus produtos – jogos antigos em madeira. “As crianças queriam algo mais colorido e os adultos algo com acabamento caprichado”, diz Marta Giardini, uma das proprietárias. Apartir daí, foram criados jogosemcaixas especiais, dobráveis, com peças em formato de bichos e coloridas. “Além de memória e raciocínio, a criança desenvolve o convívio social com estes jogos”, diz Marta. Ex-professora de Educação Artística, ela diz que se sente agora tão ou mais educadora do que antes. “É muito mais interessante estudar outras culturas e países se depois você puder pensar e se divertir como as pessoas daquela época faziam.” Ela fabrica jogos egípcios, africanos, europeus e até um tipo de futebol de tabuleiro. “Além das lojas, vendemos muito para escolas.”Os brinquedos educativos, principalmente os feitos em madeira, são muito valorizados no exterior. “Vendo muito para estrangeiros que vivem no Brasil”, conta Priscila Dudeck, responsável pelas pelas vendas da Holz Meizter. “Minha avó fazia brinquedos e nós continuamos o ofício. Cuidamos para que os brinquedos não tenham pontas nem tintas tóxicas, e já conquistamos o selo do Inmetro”, comemora. Maria Helena Lemos, da Bicho de Pano, também se preocupa com a segurança das crianças. “Uma vez me pediram para rechear bichos de pano com bolinhas de isopor e me recusei. Se o tecido rasgasse, poderia sufocar a criança.” A Bicho de Pano começou a fazer pequenas exportações para o Canadá, Estados Unidos e Portugal. Os brinquedos de madeira da Magoo também estão chegando ao mercado externo. “Começamos a exportar para Portugal e para nós é muito vantajoso, pois eles valorizam o produto e o compram quase três vezes mais caro do que é vendido no mercado interno”, diz o empresário Maurício Gilson. “Acho muito importante os pequenos empresários buscarem o mercado externo, para gerar renda e difundir a qualidade do produto brasileiro.”

 

MUDANÇA DE HÁBITO

Maurício não trabalhava com brinquedos até dois anos atrás. Ele era engenheiro de telecomunicações telecomunicações e ocupava um cargo de direçãoem uma grande empresa, mas a frieza do trabalho lhe incomodava. “Um dia, fiz um boneco de madeira para meus filhos brincarem. Depois veio a boneca, os bichinhos, e hoje eu trabalho fazendo brinquedos.” A Magoo tem mais de 800 modelos de bichosemmadeira, que tentam reproduzir características dos bichos de verdade. As vacas, por exemplo, podem ser ordenhadas puxando- se elásticos. Da experiência em grandes empresas, Maurício trouxe a organização. “Tenho todas as compras, vendas e cadastro de clientes informatizados. Sei exatamente quando e quanto devo comprar cada vez que preciso de novos produtos.” Ele diz que já recebeu propostas para ser fornecedor de grandes empresas, mas recusou. “Ainda estou crescendo, e em breve terei como atender a essas demandas. Mas prefiro crescer estruturado, contratar mais gente e garantir que não haverá problema no fornecimento de brinquedos.”.


Autora: Ana Paula Lacerda
Fonte: O Estado de São Paulo