A Copa do Mundo dividiu com os eletrônicos os holofotes na 57ª Feira
Internacional de Brinquedos de Nuremberg, que termina hoje na Alemanha.
Ursinhos e playmobil que vestiram a camisa e viraram jogadores de
futebol e jogo interativo sobre a competição foram alguns dos 60 mil
lançamentos exibidos por 2.785 fabricantes de 63 países. Um dos
brinquedos que ganharam o Prêmio de Inovação da feira foi o
"Scene It?", da Mattel, um DVD que testa conhecimentos sobre as
Copas do Mundo. Outro foi o estádio, da Playmobil, em que jogam
bonecos com pernas articuláveis. Já a Steiff mostrou uma nova versão
de seu clássico ursinho vestido de jogador de futebol. Mas o foco na
Copa tem outra razão além da paixão dos alemães pelo futebol. A idéia
é alavancar as vendas e aliviar os estragos causados no faturamento
pela concorrência com brinquedos chineses.
Como no Brasil, os empresários alemães reclamam que a alta carga
tributária encarece seus produtos. Para concorrer com a mão-de-obra
barata, a Playmobil, uma das maiores empresas de brinquedos da Alemanha,
transferiu parte da produção para países do Leste Europeu.
Isso porque um alemão ganha cerca de U$ 22 por hora, valor que cai
para US$ 7 no Leste Europeu. "Ainda é bastante, se compararmos ao U$ 1
que paga o empregador chinês", avalia a diretora-geral Andrea Schauer.
Contra-ataque
Dieter Tschorn, assessor do Sindicato dos Produtores de Brinquedos,
diz que a recente mudança de governo entusiasmou o setor, que espera
a aprovação de reformas econômicas. "Acreditamos que principalmente
a reforma tributária diminuirá o custo social do trabalhador, deixando
os produtos mais competitivos."
Outra razão para otimismo, segundo Tschorn, é que está em andamento
uma parceria com a Organização Mundial dos Fabricantes de Brinquedos
para criar um código de ética e restringir a venda de produtos feitos
por indústrias que submetem empregados a condições subumanas e a carga
elevada de trabalho. "Não vamos competir com os produtos chineses
baratos. Nosso objetivo é produzir brinquedos com qualidade e conceito."
As 1.500 indústrias alemãs de brinquedos faturaram 2,6 bilhões no ano
passado. Ernst Kick, presidente da feira, disse que, apesar da
estagnação do mercado, a indústria está otimista. "Este é o ano da
Copa do Mundo, que motivou vários fabricantes a desenvolver produtos
com o tema". A feira também mostrou que os europeus se renderam aos
eletrônicos, que até há pouco eram importados, principalmente de
países asiáticos.
A Hasbro, por exemplo, aposta na tecnologia e traz o cão EDog, que
late, dança e faz gracinhas quando ouve música. Ele pode ser conectado
ao toca-MP3, ao toca-CD ou ao computador.
A Lego mostrou o Mindstorms NXT, robô que pode ser programado pelas
crianças e tem sensores que reagem a estímulos de luz, som e movimento.
Já o TV Learning Station, da Electronics Europe, traz um console,
conectado à TV, que exibe conteúdo de geografia, ciências, matemática
e inglês.
Dupla com o Brasil
Kick diz que está de olho no Brasil. "Já estou de malas prontas para
ir à feira brasileira de brinquedos e incentivar a relação entre os
fabricantes dos dois países." O Brasil compra, por ano, US$ 52 mil em
brinquedos alemães, menos de 1% do total da importação -60% desse
montante é de modelismo.
Ele diz que vem ao país para negociar um estande brasileiro na feira
de Nuremberg em 2007 e aproximar as indústrias dos países. Neste ano,
o custo para expor na feira, em estande sem nenhum recurso, foi de 114
por m2. Com estande básico e impostos, esse valor sobe para 220 por m2.
O mínimo permitido é 9 m2. A intenção de Kick é buscar apoio da Apex
(Agência de Promoção de Exportações e Investimentos), principalmente
para abater os custos. Nesta edição da feira havia apenas um estande
brasileiro, o da Abrine (Associação Brasileira dos Brinquedos Educativos),
que reuniu oito micro e pequenos empresários do segmento
(Hotz Meister, Mitra, Comdesenho, Isatoys, Magoo, Hannickel, Origem
e Entre no Paraíso).
Outras seis empresas do Brasil expuseram seus itens em espaços
comercializados por seus representantes na Argentina (Roma Jensen,
Bell Toys, Líder, Brinquedos Anjo, Bandeirante e Sideral).
Autora: Rosangela de Moura
Fonte: Folha de São Paulo