Na verdade, não podemos simplesmente comparar os prazeres de uma partida de jogo, seja este uma atividade esportiva física ou corporal ou com um jogo de tabuleiro ou de mesa, como se dizem por ai: "A vida é um jogo." A questão de viver não é perder ou vencer, mas sim "vivenciar",ou seja, experimentar, descobrir, conquistar e por que não, superar os seus próprios limites. Melhor exemplo não teria, do que citar a capacidade de se erguer do chão e o início do caminhar de uma criança. Esta conquista, com certeza está relacionada a uma grande força interior, uma vontade de conquistar aquilo que sabemos estar ao nosso dispor no mundo e que só o teremos se nos direcionarmos com um único objetivo: o de atingir a meta desejada. Não há conquistas sem metas, assim como não há objetivos sem relações. Podemos dizer que "A vida se faz de encontros". Encontros entre pessoas que buscam um objetivo, uma meta, um caminho para satisfazer o que, em si, consiste numa busca individualizada, porém, sempre vivenciada em grupo.
Assim podemos ver o exercício do brincar. Cada brincadeira contribui de certa forma para nossos sentidos. Sentidos interiores que nos une ao mundo, no que tocamos, vemos sentimos e desejamos.
Educar o sentir e o desejo talvez seja mais difícil do que educar o pensar. O agir parte do querer. O pensamento nos cria as condições adequadas para este agir, mas nunca nos dará o prazer de colher aquilo que realmente batalhamos para conquistar e satisfazer nossos desejos mais sublimes se estiver sozinho.
O que então podemos verificar com o brincar é a oportunidade de aprender a conquistar seus próprios sentimentos. Equilíbrio, coordenação, estratégia, objetivo direcionado são conceitos imbuídos que mostram formas de controlar o mal de qualquer ansiedade, em prol de uma conquista interior.

(- A vida é feita de relações -)

Marta Giardini
Mitra-Officina de Criação